Síndrome Visual do Computador, por Nádia Silva

 

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Nádia Machado da Silva
Mestrado em Optometria Avançada pela Universidade do Minho, Braga, Portugal | nadiamachad@gmail.com

 

 

 

 

 

A utilização de computadores e dispositivos eletrónicos nas atividades profissional e de lazer é quase universal na sociedade ocidental. Os computadores são provavelmente uma das maiores invenções científicas da era moderna e tornam-se uma parte integrante da nossa vida (1,2). O uso crescente desta tecnologia trouxe uma maior incidência de problemas de saúde, principalmente queixas visuais e motoras. A fadiga ocular, as dores de cabeça, o lacrimejo excessivo, os olhos vermelhos, a visão desfocada, a fotofobia e os olhos secos são as principais queixas visuais dos utilizadores. As dores de costas, de ombros e de pescoço são as principais queixas motoras. Todas estas manifestações são coletivamente referidas como o Síndrome Visual do Computador (CVS). (3)

Fonte: www.thevisioncouncil.org
Fonte: www.thevisioncouncil.org

A  American Optometric Association define o Síndrome Visual do Computador como um conjunto de problemas visuais e oculares relacionados com o trabalho em visão de perto e que surgem durante ou estão relacionados com o uso de computador. Estima-se que cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de CVS e novos casos ocorrem a cada ano (4).

As causas do Síndrome Visual do Computador podem ser de problemas visuais e/ou condições ergonómicas. A presença de erros refrativos pode afetar significativamente o conforto e o desempenho, o astigmatismo produz um aumento significativo na sintomalogia pós-tarefa (1). A visão desfocada ao perto deve-se à dificuldade em relaxar a acomodação durante o uso de computadores. Os períodos mais longos de trabalho estão fortemente associados ao olho seco, devido a fatores ambientais como a humidade, o aquecimento, o ar condicionado e a redução da frequência de pestanejo. No estudo de Tsubota et al. (5), os olhos num estado normal pestanejam 22 vezes por minuto, enquanto os olhos durante a leitura no computador pestanejam sete vezes por minuto. Relativamente às condições ergonómicas deve ter-se em atenção à qualidade do monitor do computador, uma maior resolução e legibilidade permitem obter melhor performance e conforto (6). O brilho do ecrã deve ser ajustado de acordo com o brilho da zona de trabalho, podendo ter de ser alterado ao longo do dia.

Para prevenção deve-se ter em atenção os hábitos de trabalho, sendo que o monitor deve estar à altura dos olhos e a uma distância média de 50-70cm, com inclinação próxima dos 12 graus e perpendiculares às janelas de forma a reduzir o encadeamento. A altura da cadeira deve ser ajustada de forma que, quando se usa o teclado, os antebraços e as mãos estejam na horizontal e os braços e antebraços façam um ângulo de 90º. Deve também encostar-se bem as costas ao apoio da cadeira.

Fonte: http://www.aoa.org
Fonte: http://www.aoa.org

 

É importante identificar e solucionar os problemas visuais e as más condições ergonómicas para que cada paciente seja capaz de desempenhar as suas funções de forma eficiente, segura e confortável. Realizar exames visuais regularmente ajuda a prevenir ou a reduzir o desenvolvimento dos sintomas associados ao Síndrome Visual do Computador.


(1) Portello, J. K., Rosenfield, M., Bababekova, Y., Estrada, J. M., & Leon, A. (2012). Computer-related visual symptoms in office workers. Ophthalmic and Physiological Optics, 32(5), 375–382. https://doi.org/10.1111/j.1475-1313.2012.00925.x

(2) user. (2006). Reviews. Reviews, 11(1).

(3) Hazarika, A. K., & Singh, P. K. (n.d.). Computer Vision Syndrome.

(4) Ranasinghe, P., Wathurapatha, W. S., Perera, Y. S., Lamabadusuriya, D. A., Kulatunga, S., Jayawardana, N., & Katulanda, P. (1962). Computer vision syndrome among computer office workers in a developing country: an evaluation of prevalence and risk factors. BMC Res Notes, 9(9). https://doi.org/10.1186/s13104-016-1962-1

(5) Tsubota, K., & Nakamori, K. (1993). Dry eyes and video display terminals. The New England Journal of Medicine, 328(8), 584. https://doi.org/10.1056/NEJM199302253280817

(6) Sheedy, J. E. (1992). Vision problems at video display terminals: a survey of optometrists. Journal of the American Optometric Association, 63(10), 687–692.

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