Iniciativa, por Alexandre Sousa

 

Alexandre Sousa

#lover

Alexandre Sousa

Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto

 

 

 

Quando fui convidado para contribuir para este novo projeto, pensei para mim mesmo: “Mas o que é que eu posso oferecer às pessoas que vão ler os meus devaneios?”. E logo a seguir veio outra questão ainda maior: “Mas o que deu à criadora deste digno projeto para querer que eu escreva para este seu belo projeto?”. Sim, porque uma coisa é questionar-me interiormente sobre o que posso partilhar com os leitores deste espaço, e isso motiva-me bastante. Outra é alguém reconhecer valor suficiente nas minhas ideias, que seja merecedor desta confiança.

Terminada esta introdução, que serviu essencialmente para agradecer à criadora deste blogue o voto de confiança por me dar direito de antena, o tema que quero partilhar hoje foge um pouco aos âmbitos que regularmente me proporei tratar. E que tema é este? INICIATIVA!!

Porquê iniciativa? Simples. Porque estamos hoje com o lançamento deste blogue a presenciar o ímpeto de iniciativa de uma pessoa que não gosta de ficar quieta. Alguém que está a arriscar uma via que não conhece, mas que lhe despertou curiosidade. E não é esta iniciativa de que tanto se fala hoje em dia? Alguns chamam-lhe empreendedorismo, outros apenas risco, mas a génese de todas essas palavras é iniciativa. Pegar numa ideia, solidificá-la com bom senso, adicionar uma pitada de autoconfiança, e fazer nascer um projeto.

O nosso país enfrenta, desde os últimos anos, um processo transformacional brutal, que está já a produzir efeitos muito positivos, mas que apenas irá gerar os maiores benefícios daqui a umas décadas. Quando? Quando os nossos filhos puderem beneficiar dos frutos do nosso esforço. O grande legado que a geração dos nossos pais nos deixou, a par do 25 de abril, foi o investimento na Educação que foi feito em nós. A esta altura estarão muitos (não sei se estarão muitas pessoas a ler isto, mas vou acreditar que sim): “De que valeu o investimento se estamos todos desempregados?”. Mas, a verdade é que todo esse investimento vai trazer frutos, mesmo que eles não sejam imediatos e/ou diretos. Podemos estar a perder muitos jovens que emigraram, mas teremos no futuro (porque o tempo tratará que assim seja) a responsabilidade de estar à frente dos centros de decisão do país, sejam eles empresas, ou instituições governamentais e não tenho dúvidas de que seremos a geração mais bem preparada e dotada para essas funções. Perante uma crise enorme e duradoura como a que enfrentamos, e que no caso português colocou a nu os nossos piores vícios, vislumbramos hoje um rol de novos projetos a nascer, novas ideias, novas empresas, microempresas é certo, mas com ideias, e uma boa ideia que consiga captar dinheiro, será um sucesso. É esta iniciativa que nos distingue. Hoje não estamos (tanto) à espera do que pode o Estado fazer por nós, mas sim o que podemos nós fazer por nós mesmos. Agora juntem a isto o gosto e a avidez pelas novas tecnologias, a necessidade de informação constante, a maior sensibilidade para aspetos fundamentais como a igualdade de género, o gosto pelo conhecimento e só poderemos estar confiantes de que seremos uma geração de mudança deste país. Quem me conhece sabe que sou um crítico de um dos nossos maiores orgulhos nacionais: os “Descobrimentos”, pois derivou desta época uma matriz económica assente na exploração de recursos coloniais que mutilou a nossa capacidade de nos desafiarmos. O dinheiro era fácil, importar e exportar, não era preciso produzir, parámos, descansámos e outros facilmente nos ultrapassaram. Como se isto não bastasse, com a instauração de regimes ditatoriais, fomos mais uma vez manietados e impedidos de nos desenvolvermos e por isso não podemos ficar revoltados com o atraso civilizacional que temos para com os países mais desenvolvidos.

O futuro não é fácil, encerra muitos desafios e acima de tudo muitos perigos. Um dos mais graves é, sem dúvida, o problema das alterações climáticas. Mas o futuro somos nós, e serão os nossos filhos criados e educados de acordo com os nossos valores. E se nós chegamos até aqui com as poucas ferramentas de que dispúnhamos, pensem do que serão eles capazes com as ferramentas que já lhes poderemos dar logo à partida.

Por isso, tirem aqueles sonhos da gaveta, voltem a olhar para eles com aquela chama que nos caracteriza, não se esqueçam da dose de bom senso, e ponham os vossos projetos em prática… Eles valem a pena, e vocês também!!!

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